Emater estimula cultivo de pescado em Cachoeira do Piriá

Trata-se da primeira Unidade Demonstrativa de piscicultura familiar do nordeste paraense

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) está instalando, em Cachoeira do Piriá, no nordeste paraense, a primeira Unidade Demonstrativa (UD) de piscicultura familiar do município. 

Com o apoio da Prefeitura, a iniciativa capacitará famílias de baixa renda no cultivo de pescado para melhorar a própria alimentação e estimular associativismo e cooperativismo. Trata-se de famílias de agricultores que já praticam a pesca artesanal e plantam mandioca, mas enfrentam expressiva vulnerabilidade socioeconômica, inclusive com acesso escasso à proteína animal. 

Atendida pela Emater há mais dez anos, a comunidade Boa Esperança, no Assentamento Cidapar, próximo à divisa com o estado do Maranhão, já desenvolveu algumas tentativas de cativeiro de peixe, com represamento em pequenos açudes.  

Nenhuma delas chegou a obter êxito por causa da falta de informações mais especializadas, como controle químico da qualidade da água e cálculo de ração, e sem observância ao ecossistema, como a preservação das nascentes. 

Os problemas com a água, por exemplo, se intensificam no período típico de estiagem, de setembro a dezembro, porque a captação e o nível de oxigenação são prejudicados, culminando em morte ou desaceleração do desenvolvimento dos peixes. 

No dia 3 de junho foi feita a Demonstração Técnica (DT) de estreia pela Emater às lideranças comunitárias, resguardadas as medidas preventivas quanto à Covid-19: uso de máscaras, distanciamento, disponibilidade de álcool em gel e individualização de canetas. 

COLABORAÇÃO

A partir de então, 10 assentados e extrativistas se envolveram em um trabalho colaborativo para construir, pelos próximos 45 dias, um tanque escavado de 600 m², na propriedade do agricultor José Francisco Marques.

 

A estrutura receberá 500 tambaquis para retirada em um ano, quando cada um deve atingir um quilo. A lateral do tanque, de 40 m lineares, será revestida de pneus reciclados com plantio de acerola, goiaba e tomate-cereja. 

A despesca e a colheita serão direcionadas à segurança alimentar e nutricional, com comercialização do excedente. 

“Não é só um processo de orientação científica, em relação aos manejos e à adequação ambiental. É também resgatar na comunidade o espírito de solidariedade e de união de esforços em prol de um bem comum. Produzir junto tem um resultado totalmente diferente do que produzir isolado. É preciso se treinar o ambiente de ajuda mútua”, argumenta o chefe do escritório local da Emater em Cachoeira do Piriá, o engenheiro de pesca José Jovelino Itapirema. 

Fonte: Agência Pará